Argamassa AC1, AC2 ou AC3: qual usar em cada piso e quantos sacos por m²

Ilustração de saco de argamassa AC1, AC2 e AC3 com desempenadeira dentada sobre piso

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Construção e Reforma

Comprar o saco mais barato da prateleira para assentar porcelanato é o erro que mais faz piso estufar ou soar oco depois de alguns meses. A diferença entre argamassa AC1, AC2 e AC3 não é marketing: cada letra corresponde a um conjunto de ensaios da norma, e escolher errado custa a reforma inteira. E na conta dos sacos quem manda é a desempenadeira, não o tipo.

Se você já tem a metragem em mãos, a calculadora de argamassa colante faz a conta em sacos de 20 kg. Abaixo, de onde saem esses números e qual tipo vai em cada lugar.

O que a NBR 14081 exige de cada tipo

A NBR 14081 é a norma da argamassa colante industrializada (aquela que vem pronta no saco, é só pôr água). Ela classifica o produto pelo resultado de um ensaio de arrancamento: assenta-se uma peça cerâmica, espera-se 28 dias e mede-se a força necessária para puxá-la. O teste é repetido em três tipos de cura.

Na cura normal, a peça fica em ambiente de laboratório. Na cura submersa, fica debaixo d’água, simulando área molhada. Na cura em estufa, passa por calor, que é o que acontece num piso de varanda batido de sol ou numa fachada.

TipoCura normalCura submersaCura em estufa
AC1 (ACI)≥ 0,5 MPa≥ 0,5 MPanão é exigido
AC2 (ACII)≥ 0,5 MPa≥ 0,5 MPa≥ 0,5 MPa
AC3 (ACIII)≥ 1,0 MPa≥ 1,0 MPa≥ 1,0 MPa

Repare no que a tabela diz. O AC1 nunca foi testado no calor, por isso só serve para ambiente interno. O AC2 aguenta sol e variação de temperatura, mas com a mesma aderência do AC1. O AC3 dobra a exigência de aderência em todas as situações.

Na embalagem ainda podem aparecer duas letras extras. O E indica tempo em aberto estendido: a massa continua colando bem por mais tempo depois de espalhada (nas fichas técnicas, o ensaio é feito com 30 minutos). O D indica deslizamento reduzido, útil em parede, onde a peça pesada tende a escorregar antes de pegar. Um saco “ACIII E tipo D” junta as três vantagens.

Qual vai em cada piso e parede

Quarto e sala com cerâmica comum

Aqui o AC1 resolve. Cerâmica esmaltada comum absorve água (acima de 3%), e é essa absorção que deixa a argamassa “agarrar” na peça. Em piso interno seco, com peça até uns 45×45 cm, não há motivo técnico para pagar mais.

Porcelanato, mesmo dentro de casa

O porcelanato quase não absorve água, e as fichas de AC1 costumam excluir revestimento com absorção abaixo de 3%. No porcelanato interno, use no mínimo AC2 (muitas marcas vendem um saco “para porcelanato interno” que é AC2). Passou de 60×60 cm, ou é retangular comprido tipo 20×120, vá de AC3.

Banheiro, cozinha e área de serviço

Algumas marcas de AC1 aceitam área molhada interna, desde que seja cerâmica. Mesmo assim, a gente prefere AC2 no box e na parede do chuveiro: a diferença no saco é pequena para um ambiente de 4 ou 5 m² de piso, e é ali que a peça mais sofre com água quente e vapor.

Varanda, garagem, área externa

AC2 é o mínimo, por causa do teste de estufa. Em garagem com carro passando, área de churrasqueira descoberta ou piso que pega sol a tarde inteira, o AC3 é a escolha mais segura. Se a laje de cima não foi bem tratada, resolva antes a umidade (vale ler nosso texto sobre impermeabilização de laje), porque argamassa nenhuma segura piso sobre infiltração.

Fachada, piscina e piso sobre piso

AC3 sem discussão, de preferência a versão E com tipo D na fachada. Quem vai assentar piso novo por cima do antigo encontra argamassa específica “piso sobre piso”, que no rótulo também é AC3. As fichas costumam limitar esse uso a área interna.

Quantos sacos por m²

A conta é simples e é a mesma que a calculadora usa:

Sacos = (área em m² × consumo em kg/m²) ÷ 20 kg

O que muda o resultado é o consumo, e ele depende da desempenadeira e de passar massa só no contrapiso (colagem simples) ou também no verso da peça (dupla colagem). As fichas técnicas dos fabricantes trazem números nesta faixa, sem contar perda:

  • dente 6×6 mm, colagem simples, peça até 20×20 cm: 4 a 5 kg/m²
  • dente 8×8 mm, colagem simples: 5 a 6 kg/m²
  • dente 8×8 mm, dupla colagem: 6 a 8 kg/m²
  • dente 10×10 mm, dupla colagem (porcelanato grande): 8 a 10 kg/m²

A calculadora do site usa uma média por tipo: uns 4 kg/m² para AC1, 5 para AC2 e 7 para AC3, porque na prática cada tipo anda junto com uma desempenadeira (6, 8 e 10 mm). Se você vai usar dupla colagem com peça grande, pense no topo da faixa.

Três exemplos, todos com 10% de margem:

Quarto de 12 m² com cerâmica 30×30 e AC1: 12 × 4 = 48 kg. Com a margem, 52,8 kg, ou seja, 2,64 sacos. Leve 3.

Banheiro com 4 m² de piso e 18 m² de parede (22 m²) e AC2: 22 × 5 = 110 kg, que viram 121 kg com a margem. Dá 6 sacos e pouco. Aqui é onde muita gente compra 6 e para a obra no fim da última parede. Leve 7.

Sala de 25 m² com porcelanato 90×90, dupla colagem e AC3: 25 × 8 = 200 kg, mais 10% dá 220 kg, exatamente 11 sacos. Com os 7 kg/m² médios da calculadora sairiam 10, então para esse formato vale arredondar para cima.

Quantas caixas de piso entram nessa mesma área? Use a calculadora de pisos ou veja o passo a passo em como calcular a quantidade de piso.

Quanto custa subir de categoria

Em São Paulo, os preços de referência de 2026 para o saco de 20 kg ficam mais ou menos assim: AC1 de R$ 14 a R$ 22, AC2 de R$ 22 a R$ 38 e AC3 de R$ 42 a R$ 85, dependendo da marca e de ser versão flexível ou branca. Fora da capital o valor muda bastante.

No banheiro do exemplo, 7 sacos de AC2 saem por algo entre R$ 154 e R$ 266. Os mesmos 7 sacos de AC3 ficariam entre R$ 294 e R$ 595. Num banheiro de cerâmica comum, a diferença não se paga. Já com porcelanato 60×120 de R$ 150 o metro, economizar no saco é arriscar um material que custa dez vezes mais.

Por que o piso solta mesmo com a argamassa certa

Muito piso oco foi assentado com o tipo certo e aplicado do jeito errado.

O primeiro vilão é o tempo em aberto. O pedreiro espalha massa em 4 m² de uma vez, para no meio para atender alguém, e volta a assentar sobre uma superfície que já formou película. Encoste o dedo: se a massa não grudar no dedo, raspe e passe de novo. Em dia quente e com vento, isso acontece em menos de 15 minutos.

O segundo é a dupla colagem que não foi feita. Em peça acima de 30×30 cm, passar massa só no contrapiso deixa vazios embaixo da peça, principalmente nos cantos. Vire uma peça logo depois de assentar e veja se o verso saiu coberto.

Outros dois hábitos estragam o saco: colocar água a mais para render e “reamassar” a mistura que já começou a endurecer. Respeite a proporção de água impressa na embalagem e o tempo de descanso (em geral uns 15 minutos antes de usar).

E não confunda as coisas na hora de pedir: argamassa colante não é a mesma coisa que argamassa de assentamento de tijolo nem de reboco. Essas têm a calculadora de argamassa de assentamento, que trabalha com traço de cimento, cal e areia.

Antes de fechar a compra, separe também o rejunte, que tem conta própria e depende da largura da junta: a calculadora de rejunte por m² faz essa parte.

Precisa de mais informações? Use nossas calculadoras:

Converta a metragem em sacos de 20 kg na Calculadora de Argamassa Colante.

Descubra quantas caixas de revestimento comprar na Calculadora de Pisos.

Feche a lista com o rejunte na Calculadora de Rejunte por m².

Fontes

Aviso importante: este conteúdo é apenas um guia

As informações, contas e calculadoras do O Jeito Certo servem como referência para você planejar e conversar com quem vai executar o serviço. Elas não substituem projeto, cálculo, vistoria nem o acompanhamento de um profissional habilitado. Não aplique por conta própria: antes de qualquer obra, reforma ou instalação, procure um engenheiro, arquiteto, eletricista ou técnico da área, que vai avaliar o seu caso e assumir a responsabilidade técnica pelo serviço (com ART ou RRT, quando exigida).

Segurança em primeiro lugar: desligue o disjuntor antes de qualquer contato com a instalação elétrica, use equipamentos de proteção (luvas, óculos e calçado fechado), não trabalhe em telhado, laje ou altura sem cinto de segurança e treinamento, e nunca mexa em estrutura, gás ou rede elétrica sem um profissional.

Preços, valores e normas citados mudam com o tempo e variam de região para região. O blog O Jeito Certo não se responsabiliza por danos, prejuízos ou acidentes decorrentes do uso destas informações sem a orientação de um profissional habilitado.

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