Quanto gasta ar-condicionado por mês: conta por BTU, horas de uso e tarifa

Ilustração de ar-condicionado split na parede com conta de luz, mostrando quanto gasta ar condicionado por mês

06

nov

Construção e Reforma

R$ 64 por mês. É mais ou menos isso que um split de 12.000 BTU inverter acrescenta na conta de luz quando fica ligado 8 horas por noite, todos os dias, com a tarifa média de 2026. Um convencional do mesmo tamanho chega a uns R$ 100. Para saber quanto gasta ar condicionado por mês na sua casa, você precisa de três números: o consumo que está na etiqueta do Inmetro, as horas de uso e a tarifa da sua distribuidora.

A conta cabe num papel de pão. O que confunde é que a etiqueta mudou em 2023 e muita gente ainda calcula do jeito antigo.

Antes de qualquer coisa, confira se o aparelho tem o tamanho certo para o cômodo na calculadora de BTUs. Ar subdimensionado é o que mais faz a conta de luz disparar, e a gente mostra o porquê lá embaixo.

O que a etiqueta do Inmetro quer dizer

Desde 2023, as etiquetas de ar-condicionado seguem a Portaria Inmetro 269/2021. A classificação vai de A a F (antes ia só até D) e o consumo aparece em kWh por ano, calculado para 2.080 horas de uso. Esse número sai do IDRS, o Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal, que mede o aparelho em várias temperaturas externas, em vez de um único dia de calor. Nessa régua, a nota A ficou praticamente restrita aos inverter.

Na etiqueta antiga, o consumo vinha em kWh por mês e considerava o aparelho funcionando apenas uma hora por dia, 30 horas no mês. Multiplicar aquele número pelas horas de uso trata o compressor como se ficasse ligado direto, na potência máxima. Serve como teto, não como média.

Na etiqueta nova, basta dividir o kWh/ano por 2.080. O resultado é quanto o aparelho gasta, em média, a cada hora ligado.

Consumo (kWh/mês) = (kWh/ano da etiqueta ÷ 2.080) × horas por dia × dias de uso
Custo (R$/mês) = consumo × tarifa da sua conta

Exemplo com um 9.000 BTU

Num levantamento do Canaltech com os modelos de 9.000 BTU à venda em 2026, o consumo vai de 263 kWh/ano (os mais econômicos, de Daikin e Samsung) a uns 397 kWh/ano. Pegando um aparelho no meio dessa faixa, com 300 kWh/ano:

300 ÷ 2.080 = 0,144 kWh por hora. Ligado 8 horas por dia durante 30 dias, são 240 horas, ou cerca de 35 kWh no mês. Com a tarifa de R$ 1,10 por kWh, dá uns R$ 38. O mais econômico da lista sairia por R$ 33 e o menos econômico, por R$ 50. Mesmo tamanho de aparelho, R$ 17 de diferença todo mês.

Tabela de consumo por BTU e tecnologia

O Canaltech também comparou médias de inverter e convencional (o modelo “liga e desliga”) em três tamanhos. A tabela abaixo pega essas médias e converte para 8 horas por dia durante 30 dias, com tarifa de R$ 1,10/kWh. São médias: o seu aparelho pode fugir delas.

AparelhoInverterConvencionalDiferença no mês
9.000 BTU47 kWh, R$ 5174 kWh, R$ 81R$ 30
12.000 BTU58 kWh, R$ 6491 kWh, R$ 100R$ 36
18.000 BTU69 kWh, R$ 75114 kWh, R$ 125R$ 50

A economia do inverter fica entre 36% e 40% nas três faixas. Ele consegue isso porque reduz a rotação do compressor quando o quarto já chegou na temperatura, em vez de desligar e religar o motor a cada poucos minutos.

Vale fazer a conta do retorno. No 12.000 BTU, a diferença é de uns R$ 36 por mês com uso diário. Se o inverter custar R$ 700 a mais na loja, ele se paga em cerca de 19 meses de uso. Em cidade quente, com o ar ligado o ano todo, compensa com folga. Para quem liga só nas noites mais quentes de janeiro, o retorno demora bem mais.

A tarifa de 2026 e o peso das bandeiras

A Aneel projetou a tarifa residencial média de 2026 em R$ 0,851 por kWh, sem impostos. Com ICMS e PIS/Cofins por cima, ela chega perto de R$ 1,10 por kWh, que é o valor usado nas contas deste post. Isso é média nacional: a tarifa muda de uma distribuidora para outra e o ICMS, de um estado para outro. O número certo está na sua conta, no valor do kWh com tributos.

As bandeiras somam um extra a cada 100 kWh: nada na verde, R$ 1,885 na amarela, R$ 4,463 na vermelha patamar 1 e R$ 7,877 na vermelha patamar 2. Em 2026, a bandeira ficou verde de janeiro a abril, amarela de maio a setembro e voltou para verde em outubro. Para o ar-condicionado, o efeito é menor do que parece: os 91 kWh de um 12.000 BTU convencional custariam R$ 1,71 a mais na bandeira amarela e uns R$ 7,14 na vermelha 2. Quem pesa de verdade é a tarifa base e, principalmente, as horas de uso.

Quando a conta sai do controle

A etiqueta mostra uma média do ano. Num quarto virado para o oeste, em pleno fevereiro, o compressor quase não descansa e o consumo passa longe dessa média.

Um 12.000 BTU convencional puxa por volta de 1,1 kW com o compressor ligado. Se ele não desligar nunca durante 8 horas por dia, são 264 kWh no mês, ou uns R$ 290. É o pior caso, e ele aparece justamente quando o aparelho é pequeno demais para o ambiente.

Por isso o dimensionamento vem antes de tudo. A calculadora de BTUs do site parte de 600 BTU por m² para ambiente com pouco sol e 800 BTU por m² para ambiente com muito sol, e soma 600 BTU para cada pessoa e para cada aparelho que esquenta o cômodo, como computador e TV. No nosso guia de como escolher o ar-condicionado tem a explicação completa dos tipos e das potências.

Outros vilões silenciosos: temperatura muito baixa. Colocar em 17 °C não esfria o quarto mais rápido, só deixa o compressor trabalhando por mais tempo. Entre 23 °C e 24 °C é a faixa que costuma ser recomendada para conforto com consumo menor.

Filtro sujo. O ar passa com dificuldade pela serpentina e o aparelho perde rendimento. Lavar o filtro a cada 15 dias, no período de uso, é coisa de cinco minutos.

Ar-condicionado e energia solar

Quantas placas a mais o ar exige? Pela mesma lógica da calculadora de energia solar do site (irradiação de 5,1 kWh/m² por dia, 30 dias e 80% de rendimento do sistema), os 58 kWh mensais de um 12.000 BTU inverter pedem cerca de 0,47 kWp, ou uma placa de 550 W. Os 91 kWh do convencional pedem 0,74 kWp, e aí já são duas placas. No post sobre se energia solar vale a pena em 2026 tem a conta completa para a casa toda.

Instalação elétrica também conta

Ar-condicionado precisa de circuito exclusivo, com disjuntor e fio dimensionados para a corrente do aparelho, como manda a NBR 5410. Fio fino demais esquenta e pode derreter a emenda. Antes de instalar, confira a bitola na calculadora de cabo elétrico e o disjuntor na calculadora de disjuntor, usando a corrente que está na placa do aparelho ou no manual.

Perguntas frequentes

Quanto gasta um ar-condicionado ligado a noite toda?

Com 8 horas por noite, um 9.000 BTU inverter gasta em média uns 47 kWh por mês, cerca de R$ 51 com tarifa de R$ 1,10. Um 12.000 BTU inverter fica perto de 58 kWh, ou R$ 64. Um convencional gasta uns 60% a mais que o inverter do mesmo tamanho.

Ar-condicionado gasta mais que chuveiro elétrico?

Depende das horas. Um chuveiro de 5.500 W ligado 40 minutos por dia gasta uns 110 kWh no mês. Um 12.000 BTU inverter só passa disso com mais de 15 horas de uso diário. Já o convencional empata com umas 10 horas por dia.

Pegue a última conta de luz, anote o valor do kWh com impostos e o kWh/ano da etiqueta do seu aparelho. Jogando os dois na fórmula lá de cima, o seu gasto real sai em um minuto.

Precisa de mais informações? Use nossas calculadoras:

Descubra a potência certa para o cômodo na Calculadora de BTUs.

Veja quantas placas cobrem o seu consumo na Calculadora de Energia Solar.

Escolha a bitola do fio do circuito na Calculadora de Cabo Elétrico.

Confira o disjuntor certo na Calculadora de Disjuntor.

Compare o gasto do ar com outros aparelhos na Calculadora de Consumo de Energia.

Fontes

Aviso importante: este conteúdo é apenas um guia

As informações, contas e calculadoras do O Jeito Certo servem como referência para você planejar e conversar com quem vai executar o serviço. Elas não substituem projeto, cálculo, vistoria nem o acompanhamento de um profissional habilitado. Não aplique por conta própria: antes de qualquer obra, reforma ou instalação, procure um engenheiro, arquiteto, eletricista ou técnico da área, que vai avaliar o seu caso e assumir a responsabilidade técnica pelo serviço (com ART ou RRT, quando exigida).

Segurança em primeiro lugar: desligue o disjuntor antes de qualquer contato com a instalação elétrica, use equipamentos de proteção (luvas, óculos e calçado fechado), não trabalhe em telhado, laje ou altura sem cinto de segurança e treinamento, e nunca mexa em estrutura, gás ou rede elétrica sem um profissional.

Preços, valores e normas citados mudam com o tempo e variam de região para região. O blog O Jeito Certo não se responsabiliza por danos, prejuízos ou acidentes decorrentes do uso destas informações sem a orientação de um profissional habilitado.

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