Quantas tomadas uma cozinha de 3 × 2,8 m precisa ter? Pela norma, no mínimo quatro, e duas delas em cima da bancada da pia. A quantidade de tomadas por cômodo pela NBR 5410 não sai de gosto pessoal nem do costume do eletricista: ela vem do perímetro de cada ambiente, com regras diferentes para áreas molhadas, salas e quartos.
Em muita casa o que se vê é o contrário: uma tomada por parede, a cozinha inteira num circuito só e o ar-condicionado pendurado nas tomadas da sala. Na hora de dimensionar cada circuito, use a calculadora de disjuntor.
O mínimo de tomadas cômodo por cômodo
A NBR 5410 (edição de 2004, a que vale hoje) chama de TUG a tomada de uso geral, onde você liga o que é portátil: carregador, liquidificador, ferro, aspirador. O número mínimo de pontos de TUG fica assim:
| Cômodo | Mínimo de pontos de tomada | Potência mínima por ponto |
|---|---|---|
| Banheiro | 1, junto ao lavatório | 600 VA |
| Cozinha, copa, área de serviço, lavanderia | 1 a cada 3,5 m de perímetro (ou fração), com pelo menos 2 tomadas acima da bancada da pia | 600 VA nos 3 primeiros, 100 VA nos demais |
| Sala e dormitório | 1 a cada 5 m de perímetro (ou fração), bem distribuídos | 100 VA |
| Varanda | 1 (pode ficar junto ao acesso, se não couber dentro) | 100 VA |
| Demais cômodos até 6 m² (hall, corredor, closet) | 1 | 100 VA |
| Demais cômodos acima de 6 m² | 1 a cada 5 m de perímetro (ou fração) | 100 VA |
“Ou fração” quer dizer arredondar sempre para cima. Uma sala de 3,5 × 4 m tem 15 m de perímetro: 15 ÷ 5 = 3 tomadas. Um quarto de 3 × 3 m tem 12 m de perímetro, 12 ÷ 5 = 2,4, então são 3 tomadas, não 2. A cozinha do começo do texto tem 11,6 m de perímetro; dividido por 3,5 dá 3,3, que vira 4 pontos.
Esses números são o piso, não o teto. Numa sala com TV, roteador e carregador, três pontos somem rápido; vale prever um a mais perto da cabeceira de cada cama.
Ponto de tomada não é o mesmo que tomada: uma caixa 4 × 2 com duas tomadas conta como um ponto. Por isso as “2 tomadas acima da bancada” podem estar no mesmo ponto.
Quanto cada ponto pesa na conta
As potências da tabela são a carga mínima que o projetista usa para dimensionar o circuito, não o que você vai ligar ali. Na cozinha com 4 pontos, a conta fica:
Cozinha = 3 × 600 VA + 1 × 100 VA = 1.900 VA
Uma área de serviço de 2 × 1,8 m tem 7,6 m de perímetro, o que pede 3 pontos, todos de 600 VA: 1.800 VA. Já a regra muda quando a cozinha passa de seis pontos. Nesse caso a norma aceita dois pontos de 600 VA e os outros com 100 VA. Com sete pontos, dá 2 × 600 + 5 × 100 = 1.700 VA.
A iluminação também entra no cálculo: cada cômodo leva pelo menos um ponto de luz no teto, com 100 VA para os primeiros 6 m² e mais 60 VA a cada 4 m² inteiros acima disso. Um quarto de 3 × 3,5 m (10,5 m²) fica com 160 VA; a sala de 14 m² fica com 220 VA. Isso serve para o circuito, não para escolher lâmpada. Quanto de luz o ambiente pede, a calculadora de lumens e o nosso texto sobre quantos lumens por m² resolvem.
Tomada de uso específico: um circuito para cada
A TUE é a tomada (ou ligação direta) de um aparelho fixo: chuveiro, torneira elétrica, ar-condicionado, forno elétrico, cooktop de indução, aquecedor. Aqui não existe potência mínima de tabela. Vale a potência nominal do aparelho, a da etiqueta.
A regra que mais pesa na prática é a do item 9.5.3 da norma: todo ponto que alimenta equipamento com corrente nominal acima de 10 A precisa de circuito independente. Num chuveiro de 7.500 W em 220 V isso é óbvio. Num forno elétrico de 1.500 W em 127 V (quase 12 A), muita gente não percebe e liga na tomada da bancada. No caso do chuveiro, o nosso guia de disjuntor e fio para chuveiro elétrico traz a tabela pronta; para o ar-condicionado, comece pela calculadora de BTUs e veja a potência do modelo escolhido.
Como a casa se divide em circuitos
Além dos circuitos exclusivos das TUEs, a norma pede três cuidados na divisão:
- iluminação e tomadas em circuitos separados; em casa, admite-se um circuito misto se a corrente de projeto não passar de 16 A e se nem toda a iluminação nem todas as tomadas ficarem nesse único circuito;
- as tomadas de cozinha, copa, área de serviço e lavanderia ficam em circuitos só delas, sem misturar com luz nem com outros cômodos;
- circuitos que atendem banheiro, cozinha, área de serviço, garagem e tomadas externas levam DR de 30 mA.
Numa casa de dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, isso costuma dar algo como: dois circuitos de iluminação, um de tomadas para sala e quartos, um para o banheiro, um para a cozinha, um para a área de serviço, um para o chuveiro e um para cada ar-condicionado. São de oito a dez circuitos, bem mais que os três ou quatro de muita instalação antiga.
Na hora de escolher disjuntor e fio, a cozinha de 1.900 VA em 127 V dá cerca de 15 A; com o fator de 1,25 usado na nossa calculadora, a corrente de projeto vai a 18,7 A e o disjuntor fica em 20 A, com cabo de 2,5 mm². Em 220 V, o mesmo circuito cai para uns 10,8 A de projeto e disjuntor de 16 A. Pode digitar o valor em VA no campo de watts; para essa estimativa, a diferença é pequena.
A NBR 5410 fixa 1,5 mm² como seção mínima para iluminação e 2,5 mm² para circuitos de tomadas. Se a calculadora de cabo elétrico apontar 1,5 mm² para um circuito de tomadas com carga baixa, suba para 2,5 mm². Em circuito longo, ela ainda confere a queda de tensão.
Quanto custa e quem deve fazer
Em 2026, a instalação de um ponto de tomada sai, em média, de R$ 60 a R$ 120 nas capitais e de R$ 40 a R$ 80 no interior, segundo levantamento do Catraca Livre. Em obra nova, com dez ou mais pontos de uma vez, o preço por ponto cai para algo como R$ 35 a R$ 60. Depende da região, de ter que quebrar parede e da distância até o quadro.
A tabela ajuda a conferir o projeto, mas não substitui o profissional. Contrate um eletricista qualificado (de preferência com responsável técnico e ART quando for obra nova ou reforma grande) para fazer o projeto e a montagem do quadro. E fique de olho: a NBR 5410 está em revisão, com publicação prevista pelo comitê para o fim de 2026. Uma das propostas em discussão é estender o DR a todos os circuitos da casa, então peça ao eletricista para seguir a edição vigente na data da obra.
Perguntas frequentes
Tomada dupla conta como dois pontos?
Não. A caixa com duas tomadas é um ponto só, e o mínimo por perímetro é contado em pontos.
Posso colocar mais tomadas do que a norma pede?
Pode, e quase sempre deve. O que não pode é ter menos que o mínimo, nem ligar aparelho acima de 10 A em tomada de uso geral.
Geladeira e micro-ondas precisam de circuito próprio?
Depende da corrente. A regra é circuito independente para mais de 10 A; muitos micro-ondas e fornos em 127 V passam disso, e a geladeira costuma ficar abaixo. Confira a etiqueta de cada aparelho com o eletricista.
Antes de fechar o orçamento da parte elétrica, meça o perímetro de cada cômodo, conte os pontos pela tabela e leve a lista pronta para o eletricista: fica fácil ver se o projeto dele está abaixo do mínimo.
Precisa de mais informações? Use nossas calculadoras:
Descubra o disjuntor de cada circuito na Calculadora de Disjuntor.
Confira bitola, queda de tensão e metros de fio na Calculadora de Cabo Elétrico.
Veja as tomadas e a potência mínima de cada cômodo na Calculadora de Tomadas por Cômodo.
Fontes
- Procobre / Voltimum: Instalações elétricas em edifícios, NBR 5410
- Engenharia 360: quantas tomadas deve ter em cada cômodo
- O Setor Elétrico: revisão da NBR 5410 avança e deverá passar por segunda consulta pública
- Catraca Livre: quanto custa instalar tomadas e interruptores em 2026
Aviso importante: este conteúdo é apenas um guia
As informações, contas e calculadoras do O Jeito Certo servem como referência para você planejar e conversar com quem vai executar o serviço. Elas não substituem projeto, cálculo, vistoria nem o acompanhamento de um profissional habilitado. Não aplique por conta própria: antes de qualquer obra, reforma ou instalação, procure um engenheiro, arquiteto, eletricista ou técnico da área, que vai avaliar o seu caso e assumir a responsabilidade técnica pelo serviço (com ART ou RRT, quando exigida).
Segurança em primeiro lugar: desligue o disjuntor antes de qualquer contato com a instalação elétrica, use equipamentos de proteção (luvas, óculos e calçado fechado), não trabalhe em telhado, laje ou altura sem cinto de segurança e treinamento, e nunca mexa em estrutura, gás ou rede elétrica sem um profissional.
Preços, valores e normas citados mudam com o tempo e variam de região para região. O blog O Jeito Certo não se responsabiliza por danos, prejuízos ou acidentes decorrentes do uso destas informações sem a orientação de um profissional habilitado.

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